Reflexões sobre o ensino...
outubro 14, 2010
junho 22, 2010
Conclusão.
Considero que muito existe ainda a ser feito pelos "alunos", que continuam intrusos neste sistema politicamente aberto a todos.
A inclusão não pode ser um deliberação legislativa, mas "uma estranha forma de vida". Os alunos especiais necessitam, apenas, de um pouco mais de investimento da parte dos professores. Acreditar que o potencial pode ser desenvolvido e fazer dele o ponto de partida para todas as intervenções.
Esta oficina de formação foi-me muito útil quer para o momento actual, para o aluno focado, quer para os outros alunos que acompanho (todos eles com défices de leitura e escrita), quer para o futuro, pois realemente foram abordados aspecto que não tinha em linha de conta nas intervenções saíndo perjudicados eu, e o os alunos.
Deixo apenas a sugestão que este tipo de oficina possa acompanhar o ano lectivo, para abrir ainda mais os horizontes.
Apresentação do portefólio!
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Da apresentação do trabalho sobressaem três eixos fundamentais:
- Deve-se conhecer a meta antes do percurso.
- Inclusão ou intrusão?
- A educação criou uma vasta população capaz de ler, mas incapaz de reconhecer o que vale a pena ser lido.
A nível da construção do portefólio e das práticas diárias continua a ser muito útil o saber onde se quer chegar, porém nem sempre se reflecte realmente sobre a meta. Está instituída aquela meta e todos os participantes chegarão ou não. Creio que o fundamental é repensar tanto no percurso como no objectivo, adequando às necessidades dos alunos que hoje se encontram nos bancos das escola.
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No início da oficina de formação já tinha uma ideia da intrusão que o AP era na turma de 8º ano em que está inserido. Os professores ficaram "assustados" com o problema que a turma tinha logo no início do ano lectivo. Tarefa árdua trazer o aluno do fundo do conforto em que se instalou por ser mal educado, respondão e destabilizador da turma para uma zona de trabalho e de integração ou inclusão como se deseja e convencer os colegas que é possível. Devo reconhercer que no redefinir o tema da motivação e na elaboração de propostas de trabalho mais adequadas ao aluno ficaram a ganhar todos os professores desta turma, uma vez que no final do período, especialmente nas ciencências, o AP chegou a participar em trabalhos de grupos, tendo como tarefa a leitura de um texto, que os colegas pacientemente ouviram ler.
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Como acompanhei a turma toda em várias disciplinas foi possível aplicar o testes NARA II a outros elementos extraindo daí um grave conclusão: a maioria consegue ler dentro do esperado, mas não conseguem retirar significado daquilo que é lido. Daí lançar esta ideia de que na realidade os alunos sabem ler, mas continuam a não saber retirar informação do material lido, o que logicamente influência todas as áreas curriculares e o resto das competências da vida em sociedade.
Motivação para as aprendizagens!
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Foi fruto da oficina de formação a necessidade de virar o enfoque da motivação e procurar novas fronteiras. Dadas as características do aluno, ao longo do percurso escolar e todos os colegas deste ano insistiam na mesma temática da agricultura, do campo e dos tractores que, como conteúdo a trabalhar na escola, não motiva o aluno.
Assim, numa reflexão mais direccionada sobre os interesses do aluno cheguei à temática do futebol, que agrada ao aluno e é uma área forte em que o AP está lado a lado com os colegas da turma.
Neste sentido e conjugando com as novas tecnologias foi encontrado o jogo http://www.brasfoot.com/ que após uma análise cuidada foi considera útil para o aluno.
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http://www.scribd.com/doc/33404633/Desmontar-a-Leitura-analise-da-componente-motivacional
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A apresentação superior tenta resumidamente demonstrar a utilidade desta aplicação.
Em suma, foi trabalhada a motivação para a leitura, uma vez que todas as informações estão escritas; a resistência à frustação, uma vez que perde os jogos; o auto-controlo dos comportamentos, uma vez que a progressão no jogo obriga a esperar os tempos de jogo e a passagem de um campeonato para o outro. Mais, começou a existir uma entreajuda entre os pares, pois os colegas também participaram no jogo.
Intervenção - a quarta e última.
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Para completar a intervenção e na recta final do ano lectivo houve a tentativa de elevar as palavras ao conceito.
Assim, foi produzida a ficha de trabalho:
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http://www.scribd.com/doc/33020640/LP-imagens-para-ligar-spc
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Nesta proposta de trabalho houve a tentativa de apelar a estruturas superiores de identificação de imagens com o conceito. O AP teve algumas dificuldades na identificação de imagens/imagens, creio que deveria ter colocado imagem/palavra para permitir ser mais autónomo o trabalho.
Arrisquei este tipo de proposta uma vez que a participação do aluno na turma melhorou substancialmente tendo inclusive participado num trabalho de grupo proposto a Ciências Naturais com a leitura de um excerto durante a apresentação.
A confiança do aluno tem vindo a subir vertiginosamente ao ponto de solicitar a intervenção durante uma das aulas de Espanhol para a realização de um exercício no quadro interactivo.
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Considero que foram poucas as sessões de intervenção, contudo extremamente produtivas para o aluno e para o meu contributo para a escola realmente inclusiva, dado que os professores do AP registaram com agrado a alteração de um "problema" para um aluno.
Intervenção - a terceira.
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Como os resultados foram positivos, foi seguida a mesma linha de intervenção, traduzida na proposta de trabalho:
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http://www.scribd.com/doc/32275903/reeducacao-escrita-jovens-sporting
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É um facto que o aluno desde que consegue realizar as fichas com mais autonomia tem alterado a sua forma de estar em todas as aulas.
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A intensão desta proposta de trabalho é antecipar e trabalhar as palavras de um texto mais complexo.
A leitura do texto final foi um momento muito importante, uma vez que até o próprio aluno se espantou com a velocidade de leitura. Fica a impressão que o aluno voltou a acreditar que com algum esforço conseguirá atingir novas competências.
Apesar das intervenções específicas sejam muito espaçadas, estou em crer que estão a ser muito benéficas para a motivação e investimento do aluno, bem como, para os professores que com ele trabalham.
Intervenção - a segunda.
Na mesma linha da ficha de trabalho anterior e com base nos resultados obtidos com os teste de leitura, é produzida a ficha de trabalho:
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http://www.scribd.com/doc/32276073/Sporting-LP-reeducacao-escrita
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Os resultados foram muito positivos tendo em consideração que o aluno mostrou gosto e empenho na realização da actividade. Foi notório que foi um pouco mais autónomo na realização da tarefa.
Esta actividade permitiu aferir que realmente o aluno necessita de manipular as palavras para uma aquisição definitiva da globalidade da palavra.
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De salientar que este tipo de exercício foi também aplicado na disciplina de espanhol com resultados positivos, uma vez que acaba por trabalhar competências de língua portuguesa, dado que, por exemplo, no tema das frutas o AP escreveu "malancia" e "malão" para procurar no dicionário. Logo, teve que primeiro chegar à palavra correcta em português e só depois fez a passagem.
Teste de leitura!
Como ponto de partida foram aplicados os teste de compreensão leitora NARA II, gentilmente cedidos pela formadora Ana Cristina Rosário.
Apesar de não aferidos para a população portuguesa serviram o propósito fundamental.
O AP apresenta uma leitura lenta, silabada e com erros, contudo, retira significado daquilo que é lido.
Assim, sou levado a pensar que no percurso escolar do aluno, algures lá atrás no tempo o aluno adquiriu os mecanismos básicos à leitura e escrita. Com a passagem para o 2º ciclo e a falta de consolidação e treino específico, se foram perdendo.
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A direcção a tomar, depois desta análise, será no sentido de dotar o aluno dos mecanismos básicos de manipulação de palavras, sempre com um principio motivacional muito forte e com actividades realizáveis para impulsionar o AP a realizar as actividades de forma autónoma.
junho 18, 2010
Intervenção - a primeira.
Como motivação para as aprendizagens gerais e, particularmente as aprendizagens em Língua Portuguesa foi permitido ao aluno AP jogar http://www.brasfoot.com/ - onde o aluno tem que treinar uma equipa de futebol, gerindo várias informações em simultâneo. O jogo permite em primeira instância o trabalho da auto-regulação dos comportamentos, pois tem que gerir o facto de perder os jogos; o facto de ter que esperar o desenrolar dos campeonatos entre outros.
Assim, dentro da temática é elaborada a seguinte ficha.
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http://www.scribd.com/doc/33020744/LP-futebol-Mourinho.
A ficha de trabalho anexa, permitiu perceber:
primeiro que a temática agrada sobejamente ao aluno;
segundo que as dificuldades do aluno se prendem principalmente com a parte da grafia da palavra;
terceiro que o vocabulário do aluno é pobre e, que muitas das palavras são mal pronunciadas.
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A ficha permite perceber que é necessário descer ainda mais o nível de exercícios para que o aluno os consiga resolver positivamente as tarefas propostas.
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O AP não tem uma resposta espontânea, apesar de oralmente conseguir, isto é, no exemplo da identificação da imagem do Mourinho, soube imediatamente vertbalizar a resposta, mas teve que ser . Confirma sempre antes de iniciar a escrita da resposta.
Teoria!
"Um grama de acção vale uma tonelada de teoria."
Friedrich Engels
A componente teórica dota os formandos de ferramentas essenciais à aplicação prática dos conhecimentos.
Na acção que frequentei a componente teórica foi essencial para o despertar para pormenores que tanto eu, como os colegas reconheceram que nem sempre são imediatos.
Na minha intervenção permitiu perceber que é necessária uma reeducação da escrita no aluno visado. Uma vez que considero que algures no passado o aluno adquiriu alguns dos mecanismos básico de leitura e escrita e, que como não ficaram bem consolidadas, nem voltaram a ser trabalhadas, acabaram por entrar em colapso.
junho 08, 2010
O Portefolio!
Pela experiência acumulada sou levado às "novas formas" de apresentação de trabalhos.
Tento sempre equacionar qual a forma mais proveitosa e vantajosa de fazer com que a experiência adquiria seja transmitida da forma mais clara e concisa.
Assim, das várias formas de apresentar a avaliação da oficina de formação, a sugerida é o portefólio. De entre as várias formas de apresentar o portefólio, escolhi o blog por permitir uma troca em tempo útil de informação entre o formando e formador. Bem como, permite a introdução de material multimédia, fotos, vídeos enriquecedores e significativos.
O portefólio, tem na origem as palavras "porte" acto de trazer consigo e, "folio" folha. Resultando a palavra "portefólio" invólucro de cartão ou couro no qual se metem papeis, desenhos; ou, capa encadernada com uma série de bolsinhas transparentes destinadas à apresentação de fotos ou de documentos.
É atribuído ao portefólio digital o cariz instrumental de identificação da qualidade do ensino-aprendizagem, uma vez que permite a compilação dos trabalhos realizados (fotos, vídeos e apresentações PowerPoint) e a reflexão sobre a acção, com o fim último da avaliação do próprio trabalho.
A consciência sobre o trabalho desenvolvido e a possibilidade de troca de experiências on-line e em tempo real para formador e formando é uma das mais valias da era digital - apesar de não o ter conseguido com este trabalho.
A flexibilidade de um blog, permite, a qualquer momento a alteração do produto em qualquer ponto do planeta, uma vez que a qualquer momento pode surgir um novo ponto de vista de quem escreve.
A disponibilidade de consulta na integra do trabalho realizado, também, pode ser considerado um aspecto muito positivo. Assim como a facilidade com que pode ser avaliado no seu todo, tendo em conta aspectos que relatam melhor a acção como os vídeos ou as fotos.
Estou crente que o portefólio que ora se inicia vai extravasar a ideia original para o qual foi pensado (avaliação da oficina de formação) e, vai acompanhar-me durante o meu percurso pelo ensino.
maio 24, 2010
O meu trabalho.
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Trevelyan, G - English Social History
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Para a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos ao longo da oficina de formação escolhi o AP.
Jovem de 15 anos, reservado, baixa estatura, mas força de homem trabalhador rural.
Passou a infância ao ar livre, entre porcos e ovelhas, oliveiras e sobreiros, em pleno montado alentejano. Pai, mãe, filho e seu cão por companhia.
A entrada na escola revelou-se um pouco complicada. Pouco espaço para tamanha energia do AP.
Duas reprovações levaram a que o míudo fosse conduzido para o ensino especial e dado como uma dificuldade.
Emocionalmente muito instável, reconfortasse em momentos de stress no imitar dos animais, para onde volta no final do dia. Ninguém lhe ganha na imitação do porco ou das ovelhas ou até mesmo dos cães.
Depressa os colegas perceberam que bem apertado, o AP arruína qualquer aula.
Assim passa o tempo... passam os anos... as primaveras.
Agora no 8º ano, o AP está muito afastado dos conteúdos escolares dos colegas.
Extremamente motivado nas actividades de viticultura e olivicultura da turma CEF que acompanha, chega a ser um exemplo de trabalho e empenho. Cumpre rigorosamente normas de segurança e as tarefas.
Em sala de aula não. Continua o mesmo menino de olhar posto no montado... lá fora onde não há barreiras.
Sempre ansioso por ser aceite pelos pares, que teimam em ser ímpares.
Aprendeu a ler, em tempos que já lá vão. Sai à mãe, que também nunca foi muito de leituras. O pai não, exemplo máximo, gosta de ler e, lê, quando pode.
O AP faz inferências quando os colegas se limitam a cumprir os protocolos experimentais. Tira significado sem ler a maior parte do que está lá escrito.
Tem sucesso nas ciências experimentais: Física e Química.
Sucesso na aprendizagem de línguas: Espanhol.
Há-de ser agricultor, sair "à cepa". O pai é trabalhador rural; a mãe é trabalhadora rural.
O AP passa os fins-de-semana no campo, livre.
Ajuda e ajuda como um homem, com cara de menino.
O médico de família não o conhece. Só cá está há três meses. E se mantiver a tradição daqui a um ano ou dois vai embora.
Relatórios e exames e consultas...
Défice Intelectual e Desenvolvimental moderado.
Conclusivo.
Aptencias profissionais: agricultura ou, talvez, mecânica. Jovem afável na relação com o adulto, sempre ansioso para sair... Mais um relatório.