"A educação (...) criou uma vasta população capaz de ler, mas incapaz de reconhecer o que vale a pena ser lido"
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Trevelyan, G - English Social History
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Para a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos ao longo da oficina de formação escolhi o AP.
Jovem de 15 anos, reservado, baixa estatura, mas força de homem trabalhador rural.
Passou a infância ao ar livre, entre porcos e ovelhas, oliveiras e sobreiros, em pleno montado alentejano. Pai, mãe, filho e seu cão por companhia.
A entrada na escola revelou-se um pouco complicada. Pouco espaço para tamanha energia do AP.
Duas reprovações levaram a que o míudo fosse conduzido para o ensino especial e dado como uma dificuldade.
Emocionalmente muito instável, reconfortasse em momentos de stress no imitar dos animais, para onde volta no final do dia. Ninguém lhe ganha na imitação do porco ou das ovelhas ou até mesmo dos cães.
Depressa os colegas perceberam que bem apertado, o AP arruína qualquer aula.
Assim passa o tempo... passam os anos... as primaveras.
Agora no 8º ano, o AP está muito afastado dos conteúdos escolares dos colegas.
Extremamente motivado nas actividades de viticultura e olivicultura da turma CEF que acompanha, chega a ser um exemplo de trabalho e empenho. Cumpre rigorosamente normas de segurança e as tarefas.
Em sala de aula não. Continua o mesmo menino de olhar posto no montado... lá fora onde não há barreiras.
Sempre ansioso por ser aceite pelos pares, que teimam em ser ímpares.
Aprendeu a ler, em tempos que já lá vão. Sai à mãe, que também nunca foi muito de leituras. O pai não, exemplo máximo, gosta de ler e, lê, quando pode.
O AP faz inferências quando os colegas se limitam a cumprir os protocolos experimentais. Tira significado sem ler a maior parte do que está lá escrito.
Tem sucesso nas ciências experimentais: Física e Química.
Sucesso na aprendizagem de línguas: Espanhol.
Há-de ser agricultor, sair "à cepa". O pai é trabalhador rural; a mãe é trabalhadora rural.
O AP passa os fins-de-semana no campo, livre.
Ajuda e ajuda como um homem, com cara de menino.
O médico de família não o conhece. Só cá está há três meses. E se mantiver a tradição daqui a um ano ou dois vai embora.
Relatórios e exames e consultas...
Défice Intelectual e Desenvolvimental moderado.
Conclusivo.
Aptencias profissionais: agricultura ou, talvez, mecânica. Jovem afável na relação com o adulto, sempre ansioso para sair... Mais um relatório.
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Trevelyan, G - English Social History
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Para a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos ao longo da oficina de formação escolhi o AP.
Jovem de 15 anos, reservado, baixa estatura, mas força de homem trabalhador rural.
Passou a infância ao ar livre, entre porcos e ovelhas, oliveiras e sobreiros, em pleno montado alentejano. Pai, mãe, filho e seu cão por companhia.
A entrada na escola revelou-se um pouco complicada. Pouco espaço para tamanha energia do AP.
Duas reprovações levaram a que o míudo fosse conduzido para o ensino especial e dado como uma dificuldade.
Emocionalmente muito instável, reconfortasse em momentos de stress no imitar dos animais, para onde volta no final do dia. Ninguém lhe ganha na imitação do porco ou das ovelhas ou até mesmo dos cães.
Depressa os colegas perceberam que bem apertado, o AP arruína qualquer aula.
Assim passa o tempo... passam os anos... as primaveras.
Agora no 8º ano, o AP está muito afastado dos conteúdos escolares dos colegas.
Extremamente motivado nas actividades de viticultura e olivicultura da turma CEF que acompanha, chega a ser um exemplo de trabalho e empenho. Cumpre rigorosamente normas de segurança e as tarefas.
Em sala de aula não. Continua o mesmo menino de olhar posto no montado... lá fora onde não há barreiras.
Sempre ansioso por ser aceite pelos pares, que teimam em ser ímpares.
Aprendeu a ler, em tempos que já lá vão. Sai à mãe, que também nunca foi muito de leituras. O pai não, exemplo máximo, gosta de ler e, lê, quando pode.
O AP faz inferências quando os colegas se limitam a cumprir os protocolos experimentais. Tira significado sem ler a maior parte do que está lá escrito.
Tem sucesso nas ciências experimentais: Física e Química.
Sucesso na aprendizagem de línguas: Espanhol.
Há-de ser agricultor, sair "à cepa". O pai é trabalhador rural; a mãe é trabalhadora rural.
O AP passa os fins-de-semana no campo, livre.
Ajuda e ajuda como um homem, com cara de menino.
O médico de família não o conhece. Só cá está há três meses. E se mantiver a tradição daqui a um ano ou dois vai embora.
Relatórios e exames e consultas...
Défice Intelectual e Desenvolvimental moderado.
Conclusivo.
Aptencias profissionais: agricultura ou, talvez, mecânica. Jovem afável na relação com o adulto, sempre ansioso para sair... Mais um relatório.